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Especial do Dia 7: As bebidas usadas nos rituais de Exus e Pombagiras

por Glaucia Carvalho
Imagens com diversos copos de bebidas usadas no culto a Exus e Pombagiras
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Todo dia 7 é uma data especial para quem cultua e trabalha com a força de Exus e Pombagiras. E uma das perguntas que mais recebo quando falo sobre firmezas, oferendas e trabalhos espirituais é:

“Por que Exu e Pombagira recebem bebidas alcoólicas?”

Para quem observa de fora, pode parecer simplesmente uma preferência da entidade. Mas, dentro de muitos fundamentos da Umbanda, a bebida não está ali apenas para ser bebida.

Ela pode fazer parte do próprio fundamento do trabalho espiritual.

Cachaça, champanhe, whisky, gim, licor, Campari, rum, conhaque, vermute e tequila possuem características diferentes e, dependendo da entidade, da tradição da casa e do objetivo do trabalho, podem assumir funções distintas dentro do ritual.

E é justamente sobre isso que quero conversar com você neste especial do Dia 7 dedicado a Exus e Pombagiras.

Por que Exu e Pombagira recebem bebidas alcoólicas?

Dentro das práticas espirituais que utilizam bebidas em seus fundamentos, o álcool pode ser empregado como elemento de movimentação, absorção e dissolução de energias densas.

Por isso, em determinados trabalhos, a bebida participa do fundamento utilizado para movimentar aquilo que está parado, descarregar determinadas energias e auxiliar na atuação espiritual da entidade.

Mas existe também outro aspecto muito importante: a reciprocidade.

Oferecer uma bebida pode representar um agrado, uma forma de honrar e agradecer a entidade pelo trabalho realizado.

Não se trata de pensar: “estou dando uma bebida para conseguir alguma coisa”.

O fundamento é mais profundo.

Existe uma relação de respeito, entrega, troca e reciprocidade dentro do rito sagrado.

É como dizer:

“Eu reconheço sua força, agradeço sua presença e honro o trabalho espiritual realizado.”

Toda bebida serve para qualquer trabalho?

Não.

E aqui começa uma parte muito interessante do assunto.

Assim como cada erva possui características próprias, as bebidas também podem ser escolhidas conforme sua composição, graduação alcoólica, sabor, tradição e, principalmente, afinidade com determinada entidade.

Há Exus que trabalham tradicionalmente com cachaça. Outros recebem whisky, conhaque ou rum.

Entre as Pombagiras encontramos com frequência bebidas mais doces ou aromáticas, como champanhe, licores, anisados e vermute.

Mas isso não deve ser tratado como uma regra absoluta.

Cada entidade pode manifestar suas próprias preferências, e cada terreiro possui seus fundamentos.

Na minha própria prática isso acontece.

Minha Pombagira gosta muito de Campari.

Por isso, em determinados trabalhos especiais de descarrego realizados com ela, utilizo o Campari como parte do fundamento ritual.

Não significa que toda Pombagira precise receber Campari. Significa que existe uma relação construída com aquela entidade e um fundamento específico para aquele trabalho.

Graduação alcoólica e força da bebida dentro do ritual

Em algumas tradições e fundamentos de trabalho com Exus e Pombagiras, considera-se que bebidas com maior graduação alcoólica possuem uma ação ritual mais intensa para trabalhos que envolvem rompimento e movimentação de energias pesadas.

Por isso, bebidas fortes costumam aparecer com maior frequência em trabalhos de descarrego, quebra e afastamento.

Já bebidas mais suaves, doces ou aromáticas podem ser associadas a trabalhos ligados à atração, harmonização, prosperidade, abertura e questões amorosas.

Uma maneira didática de compreender essas diferenças é pensar assim:

Tipo de bebidaGraduação típica*Característica ritualExemplos de trabalhos
Cachaça38–48%Forte, ativa e tradicional na linha de ExuDescarrego, quebra de feitiços, afastamento de obsessores
Whiskycerca de 40%Forte e associado a trabalhos de impacto e movimentaçãoQuebra de demandas, descarrego, abertura profissional
Tequilacerca de 35–40%Intensa e de ação ritual mais vigorosaRompimento, afastamento e movimentação
Rumcerca de 35–40%Forte, podendo também ter característica adocicadaAbertura, prosperidade, trabalhos de atração
Conhaquecerca de 35–40%Encorpado e tradicional em algumas linhasDescarrego, proteção e abertura de caminhos
Gimcerca de 37–47%Forte e aromáticoLimpeza, movimentação e abertura
Cachaça com melvariávelUne a força da cachaça ao simbolismo de atração e doçura do melAdoçamento, atração e determinados trabalhos com Exus e Pombagiras Mirins
Camparicerca de 20–28%Amargo, aromático e de intensidade intermediáriaDescarrego e trabalhos específicos conforme a entidade
Vermutecerca de 15–18%Aromático e mais suaveAtração, caminhos amorosos e trabalhos de harmonização
LicorvariávelDoce e aromáticoAdoçamento amoroso, atração e prosperidade
Champanhe / espumantecerca de 10–13%Leve, festivo e associado à expansãoAmor, prosperidade, abertura e celebração

*A graduação varia conforme a marca e o tipo da bebida.

Perceba que não existe uma matemática rígida dizendo que determinada bebida obrigatoriamente produz determinado resultado.

A bebida é um elemento dentro do fundamento. Não é o fundamento inteiro.

Bebidas para descarrego e quebra de feitiços

Quando o objetivo espiritual envolve descarrego, quebra de feitiços ou rompimento de energias consideradas muito densas, algumas casas dão preferência às bebidas de maior graduação alcoólica.

É onde encontramos com frequência:

cachaça, whisky, gim, tequila, rum e conhaque.

Dentro desse fundamento, entende-se que são bebidas de atuação mais “quente”, capazes de participar simbolicamente e ritualmente de processos de movimentação e ruptura.

Em trabalhos de afastamento de obsessores, por exemplo, também podem aparecer bebidas fortes associadas aos elementos utilizados pela entidade para limpeza e proteção.

Mas reforço: a bebida sozinha não realiza um trabalho espiritual.

Ela integra um conjunto que pode envolver pontos, velas, ervas, pemba, defumação, elementos de firmeza, rezas e outros fundamentos da tradição praticada.

E para afastamento de rivais?

Nos trabalhos destinados ao afastamento de rivais ou interferências externas, normalmente buscamos uma energia de corte e separação daquilo que está interferindo no caminho da pessoa.

Por essa lógica ritual, podem ser utilizadas bebidas mais fortes ou amargas, dependendo da entidade responsável pelo trabalho.

Cachaça, whisky, gim e até o Campari, dentro de fundamentos específicos, podem aparecer nesse tipo de ritual.

A escolha, porém, deve partir da entidade e do fundamento do trabalho — não simplesmente de uma tabela encontrada na internet.

Bebidas para busca de emprego e abertura profissional

Nem todo trabalho realizado com Exu precisa ser um trabalho de quebra.

Exu também é movimento, comunicação, oportunidade e abertura de caminhos.

Em trabalhos voltados à busca por emprego, vida financeira ou abertura profissional, a bebida pode assumir justamente essa função de movimentação.

Dependendo da linha trabalhada, podem ser utilizados whisky, rum, conhaque, cachaça ou outras bebidas indicadas pela própria entidade.

Aqui, mais importante do que pensar em “bebida forte ou fraca” é compreender o objetivo:

tirar a vida da estagnação e colocar os caminhos novamente em movimento.

Bebidas para amarração e adoçamento amoroso

Quando entramos nos trabalhos amorosos, a lógica ritual pode mudar.

Em adoçamentos amorosos, por exemplo, elementos doces ganham destaque.

É aí que aparecem com maior frequência:

champanhe, licores, vermute, bebidas anisadas e outras bebidas adocicadas.

Também existem fundamentos nos quais a cachaça com mel é utilizada, unindo simbolicamente a força e movimentação da cachaça à doçura e atração representadas pelo mel.

Em trabalhos de amarração amorosa, entretanto, os fundamentos podem ser bem diferentes de um simples adoçamento. Por isso, não considero correto transformar uma bebida específica em uma espécie de “receita de amarração”.

O ritual precisa ser compreendido dentro da tradição, da entidade responsável e da finalidade espiritual proposta.

Exus geralmente preferem bebidas fortes?

De maneira geral, encontramos uma associação tradicional dos Exus com bebidas de maior graduação alcoólica, especialmente a cachaça.

Whisky, conhaque, rum e gim também podem aparecer.

Mas não significa que todo Exu bebe cachaça ou que um Exu não possa pedir outra bebida.

Quem determina isso é a própria entidade dentro do fundamento daquela casa.

É muito comum que, com o passar dos anos, quem trabalha com determinada entidade conheça suas preferências.

A bebida deixa então de ser uma escolha genérica e passa a fazer parte daquela relação espiritual.

E quais bebidas as Pombagiras preferem?

Entre as Pombagiras, encontramos com muita frequência bebidas mais leves, aromáticas, amargas ou adocicadas.

Champanhe, licor, anisados, vermute e Campari são alguns exemplos.

O champanhe e os espumantes aparecem bastante em trabalhos ligados à celebração, prosperidade, atração e questões amorosas.

Os licores trazem a característica da doçura.

O Campari possui outra personalidade: é amargo, aromático e mais intenso. Como contei anteriormente, é justamente uma das bebidas que utilizo em determinados trabalhos com minha Pombagira.

Mas uma Pombagira também pode trabalhar com bebidas fortes.

Não devemos limitar a entidade ao estereótipo de que “Exu bebe bebida forte e Pombagira bebe bebida doce”.

Isso é uma tendência encontrada em muitas práticas, não uma lei.

Exus Mirins e Pombagiras Mirins

Outro caso interessante está nas linhas de Exus Mirins e Pombagiras Mirins.

Em algumas tradições, aparecem bebidas alcoólicas de sabor mais doce ou preparações em que uma bebida é combinada com elementos adocicados.

Um exemplo conhecido é a cachaça com mel.

Nesse caso, temos dois elementos de características bastante diferentes reunidos: a intensidade da cachaça e a doçura do mel.

Mais uma vez, isso pertence aos fundamentos de determinadas casas e não significa que todas as entidades Mirins devam receber a mesma preparação.

Exus e Pombagiras da Linha Cigana

Nas linhas ciganas encontramos ainda outra característica.

Exus e Pombagiras da Linha Cigana podem apresentar preferência por bebidas mais leves, aromáticas e adocicadas.

Dependendo da entidade e da tradição, podem aparecer champanhe, vinho, licores, vermutes e outras bebidas.

E existem entidades dessa linha que podem receber até mesmo água com gás, sem necessidade de bebida alcoólica.

Isso nos ensina algo muito importante:

não é o álcool, isoladamente, que determina a força de uma entidade.

A bebida é um elemento ritual e sua importância está relacionada ao fundamento no qual é empregada.

Então quanto mais forte a bebida, mais poderoso é o trabalho?

Não necessariamente.

Essa é uma confusão que precisamos evitar.

Dentro dos fundamentos que relacionam a graduação alcoólica à capacidade ritual de movimentação e ruptura, uma bebida mais forte pode ser escolhida para determinados trabalhos pesados.

Mas isso não significa:

“quanto mais álcool, mais poderoso será o trabalho”.

Um champanhe utilizado corretamente dentro de um fundamento de Pombagira pode ser muito mais adequado para determinado objetivo do que um whisky.

Da mesma forma, não adianta oferecer a bebida de maior graduação alcoólica disponível se ela não possui relação com aquela entidade ou com o trabalho realizado.

Fundamento vale mais do que força bruta.

Posso escolher sozinho uma bebida e oferecer para Exu ou Pombagira?

Aqui eu sempre recomendo prudência.

Uma coisa é fazer uma homenagem simples dentro de uma prática que você já conhece.

Outra bem diferente é tentar reproduzir trabalhos de descarrego, quebra de feitiços, afastamento de obsessores, afastamento de rivais ou amarração amorosa apenas porque encontrou na internet uma lista de bebidas.

Não transforme fundamento espiritual em receita.

Se você trabalha dentro de uma casa, siga a orientação do seu dirigente.

Se possui uma entidade incorporada e existe um trabalho sério de desenvolvimento, observe os fundamentos transmitidos dentro da sua tradição.

E se você ainda não conhece a preferência de determinado Exu ou Pombagira, não existe necessidade de inventar uma.

O verdadeiro significado da bebida oferecida a Exu e Pombagira

No fim, talvez essa seja a parte mais bonita desse fundamento.

Quando colocamos uma bebida diante de Exu ou Pombagira, não estamos simplesmente colocando álcool diante de uma entidade.

Existe ali um símbolo de movimento, transformação, troca, agradecimento e reciprocidade.

Em alguns trabalhos, a bebida participa da movimentação de energias densas.

Em outros, representa atração e prosperidade.

Em outros, celebra uma conquista.

E muitas vezes ela simplesmente representa o carinho e o respeito por aquela entidade que caminha conosco e trabalha em nossa proteção.

Por isso, antes de perguntar:

“Qual bebida devo dar?”

Talvez seja mais importante perguntar:

“Qual é o fundamento dessa bebida dentro deste trabalho?”

Quando entendemos essa diferença, deixamos de simplesmente repetir um ritual e começamos a compreender um pouco melhor a espiritualidade por trás dele.

Que neste Dia 7, Exus e Pombagiras guardem nossos caminhos, afastem aquilo que não nos pertence e tragam movimento para tudo aquilo que precisa caminhar.

🔮 Confirme seu Exu e sua Pombagira na consulta ao Jogo de Búzios.

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Ou envie uma mensagem direta ou chame no WhatsApp: 📲 (31) 9 8449-4015

LAROYÊ EXU! LAROYÊ POMBAGIRA! 🔱

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